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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fui passear mas voltei sem nada...

Praia, Menina do Mar

A tarde caía triste. As notícias que soubera, nem haviam passado três horas, tinham-me adormecido a mente. A primeira tinha a ver com a partida de uma jovem mãe que deixava os filhos e o marido banhados em lágrimas que sinto ser o mais doloroso para uma tarde triste... A outra notícia, era oposta. Tinha a ver com a “Praia, Menina do Mar” que se apresta a um título de um romance entre a praia e o mar e bem podia acontecer na ilha que foi chamada de Ilha de Jesus com dois concelhos – Praia da Vitória e Angra do Heroísmo – a desempatar o seu novo nome que se confunde com a vez: Terceira. Será que bastavam algumas linhas para trazer a alegria de volta ao meu rosto? Saio de casa rumo ao Café mais próximo.


Numa mesa do Café, sem contemplar o jogo que concentrava olhares esbugalhados para a vitrina de vinte e dois viris jogadores que faziam da bola um espectáculo comovente de atenções de um punhado de espectadores, eu sou a única personagem do sexo feminino desatenta nesta partida de futebol.

A insistente “Menina do Mar” circulava dentro de mim como aquela bola no campo televisivo. Por momentos, perco-me do jogo e sonho acordada na magia das palavras que converto em letras que deslizam do esférico contra um papel arrancado ao meu “Livro em Branco”. Este é o título que dei a uma gentil oferta que uma amiga me dera no mês de Julho de dois mil e seis. O prefácio já vinha manuscrito e rezava assim: “Para não retardares os desafios! Para que a vida não volte para trás! Este livro “Em Branco” (Espero!) há-de fazer com que nenhum dos teus dias seja igual ao outro... CRIA!”. Depois, bem no canto inferior direito, ficava o selo “Com a amizade de sempre”... Neste meu livro, completamente liso, apenas leio o relevo do conteúdo dos meus segredos cuja revelação se faz a espaços. Nele guardo as emoções que abrilhantaram o meu viver e também a voz muda do meu sentir que já ocupa metade das folhas. Pouso o olhar na folha amarelecida e releio: “Deitada no meu sofá, / Às turras com o pensamento, / Nas voltas que o mundo dá, / Há coisas que dão tormento. // Amar também faz doer, / Amar é querer estar perto, / O que hei-de então fazer, / Quando encontro o meu deserto?! // Procuro a tua companhia, / Queria ter-te a meu lado, / És tu que me dás alegria, / Quando ancoro neste estado. // Um estado que entristece, / E me prende à solidão, / Só teu olhar me aquece, / Oásis de gratidão. // Mas a dúvida é companheira, / Que atormenta alguma hora, / Causa dor e é matreira, / E sem ti não vai embora. // (...) // Tu tens um bom coração, / E sabes cuidar de mim, / Mas presta muita atenção, / Quando houver choro sem fim. // É a sombra do passado, / Que me ronda vez em quando, / O meu sonho é retalhado, / E no pensamento não mando. // E por nada deste mundo, / Penso o mal abraçar, / Vou tentar bem do meu fundo, / Fazer tudo por te amar”.

Volto ao real. A “Menina do Mar” perdeu-se de amores ao luar. Deitada na areia viu-se mergulhada num sonho lindo. Nisto, um ruído maior interrompe-me: INTERVALO!! Viro-me para o lado e pergunto: - Lembras-te quando nos conhecemos nas festas da Praia!? A resposta veio após um olhar curioso: - Talvez, há seis anos!... Porque perguntas isso? Indaga ele, respondo eu: – Depois conto. É surpresa! A “Menina do Mar” cabia inteira neste olhar onde a paixão e o amor se ancoram. Fazia precisamente seis anos que o encontro breve se dera. Era um jogo de olhares que começara junto da areia e subira a serra da “Santa do Facho” e tivera um intervalo longo. Em Julho do ano de dois mil e seis aquele olhar, réplica da Praia, voltava a pousar em mim e o encanto trouxe de novo a lembrança daquele luar... (PAUSA).

Recomeça o jogo que prende a atenção do Café semi-lotado. Sou a única distraída. Percebi que a bola está a favor da equipa estrangeira. A portuguesa está ofendida... Uma agitação ecoa devido a um fora de jogo que me trava o pensamento. Não consigo prosseguir no meu sonho de “Menina do Mar”.

Eu trouxe a Praia toda para dentro do Café e ninguém sabia deste momento sublime. As “louras” continuamente são servidas a quem lhe seca a garganta; as marés sobem de tom; a bola verdadeira não pára de rodar naquele mar verde perante os adeptos de bancada; os amendoins tinem nas cascas de prazer; o fumo ciranda nos lábios esquecidos de beijar; a noite sobe enquanto o jogo desce no tempo da minha sede.

Grita-se: Um amarelo! (Raios! É para a equipa portuguesa). É a única cor que esvoaça e chama a atenção. A “Menina do Mar” nem ousa balbuciar palavra. A ordem é silêncio, excepto para os assobios na Luz.

Apetece-me gritar e segredo-me: - Não aguento mais! Deixem-me voltar à Praia. Deixem-me rever a última parte do filme que se completou passados seis anos. Hoje estou a teu lado nas ondas do prazer, nas dunas da amizade e partilha, na serra do companheirismo e num oceano de amor. Deixem-me viver a Praia do meu encanto. Deixem-me navegar nos braços aveludados de pêlos que sei de cor. Brinco na noite na areia do teu corpo, nas delícias dos teus beijos, no eco das palavras que não são ditas... [VINTE MINUTOS, é o que falta para acabar o jogo, que me prende à cadeira desta mesa de Café, na companhia do “Mar”]. – “És o meu mar de amor”. Penso dizer-te antes que acabe... Não dá tempo porque surge outro amarelo para a equipa portuguesa. Os ânimos exaltam-se. (Tenho uma perna dormente e nem digo nada... Quando será a minha vez de gritar!)

Novamente a confusão do jogo instala-se... Comenta-se a desordem... Fumas mais um cigarro... O fumo prevalece... Alguns levantam-se arrastando cadeiras... Acaba-se o meu papel de rascunho... Procuro outro enquanto o reboliço da bola nem deixa darem pelos meus movimentos para continuar o sonho... Olho mais uma vez para ti e sinto o meu lado cardíaco pulsar mais depressa... Escrevo, apressadamente... Uma pausa maior absorve toda a minha atenção numa voz vinda de um “número privado”. [É hora de voltar à Praia... Fecho os olhos e fico à tua espera.] Desperto com outro desconforto. Falta pouco... Mais um amarelo é mostrado ao jogador faltoso. O palavreado sobe de tom e mergulha na boca do copo...

Entretanto, outra mulher entra no Café. Já não me sinto única no meio da multidão de adeptos. O tempo escorrega monótono no meu monólogo. Estou praticamente no fim do meu sonho. “Saber esperar é uma virtude”, dizem. [Grande grito, geral. Infelizmente a bola teima em não ser portuguesa e distrai-me. Estão a dar tudo por tudo e eu também]. Esta bola empata-me a vontade de me olhares...

Chega o tempo dos descontos... Falta pouco para o fim. Toco no teu braço e pergunto:

- Queres ser o meu mar de amor? (Não obtenho resposta. “Ainda não é a hora” (Assim seria a expressão dita por meu filho que um dia nos provocou um festival de gargalhadas). Os últimos quatro minutos estão prestes a terminar e nem ouso insistir... Estás demasiado desatento de mim e mereces que eu respeite a tua outra paixão que agora te desgosta).

Começa a contagem decrescente... 4, 3, 2, 1... Acaba o jogo! É a nossa hora:

- Queres ser o meu mar de amor!?

Olhas-me fixamente e sorris... Talvez tenhas percebido que a pergunta tinha algum propósito e no meio do remexer de cadeiras extenuadas dizes-me: - Sim! Vamos para casa...

E fomos. Pelo caminho resolvo segredar-te: - Sou a tua “Menina do Mar”! Damos as mãos e o teu beijo me faz calar. No teu beijo deixo plantado o meu desejo: «No teu mar de amor quero sempre viver e no teu peito outros beijos esconder.» Estava neste pensamento quando fazes uma parada para me perguntar: - O que estiveste a escrever? Durante os noventa minutos mal tiveste tempo para levantar os olhos…

- Eu?! (Engasgo-me) Eu estive a sonhar contigo... Amo-te muito e tu sabes que é verdade. [Uma lágrima aquece o meu rosto que sente só o frio exterior]. Ao chegar a casa sinto o teu olhar no meu e um beijo sela o nosso amor. A noite ainda é uma criança e custa-me adormecer. Debaixo de mim os lençóis são uma onda inquietante. A Praia não me larga o pensamento. Dou-lhe um piropo: Oh, Praia! Tens um “P” de Perfeita e um “V” de Vitória! Para mim tu és a eleita e fazes parte da nossa história!
Fim

Pseudónimo: Cândida Oliveira


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Machado de Carlos

Mãos de bronze e cútis de puro ébano.
Em tuas asas de ouro senti a faísca!...
Ignóbil, viajei num mundo fantástico
e em êxtase beijei tua túnica.

Naveguei no Atlântico!... Eram efêmeras
as águas... Renasci nas cinzas de Fênix.
Entre pedras encontrei o Éden,
e, imóvel fiquei com o teu fascínio!

No micro frasco de rara fragrância
estava a Medusa: - Lindo ícone
a confundir o meu ego: Um mistério?!

Mas Zeus destruiu a minha fórmula...
Tremi tresloucado diante da efígie
que dourou a ilusão; um doce eflúvio!...

Carlos,
Ribeirão Preto,
18 de Janeiro de 2006.
17h50

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